O sonho do brasileiro é fazer uma viagem para o exterior (15%), fazer uma viagem nacional (12%), comprar um carro (9%), fazer viagens de final de semana (8%) e fazer uma cirurgia plástica (7%). Esses são os cinco primeiros colocados em uma pesquisa encomendada pelo portal de Educação Financeira Meu Bolso Feliz ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

O estudo também apontou o motivo pelo qual a maioria dos brasileiros ainda não conseguiu concretizar suas principais realizações materiais. Apesar de grande parte das pessoas ouvidas no estudo entender que é preciso se planejar para alcançar seus objetivos, 74% delas não têm uma reserva financeira total para este fim, ou seja, não guardam todo o dinheiro necessário para realizar esse sonho.

Se nos atermos ao “sonho” o qual eu sou especialista, um carro popular que possui 50% do seu custo só em impostos e que será pago em até 6 suados anos terá seu valor inicial de em média R$ 30 mil reais dobrado ao final do período de pagamento!

Veja bem, estamos nesse momento nos atendo apenas a uma prestação de um produto financeiro aplicado ao “carro dos sonhos”.

E o resto? E o gasto que o consumidor terá com o uso e a manutenção do veículo, o chamado custo de propriedade do veículo?

O custo varia muito conforme o modelo, a categoria do carro e o preço. É preciso levar em conta, por exemplo, o consumo de combustível, o valor do seguro, preço de peças e serviços na concessionária e o valor de revenda, pois o carro sofre uma depreciação muito grande.

Na hora de comprar muita gente não leva em conta esses pontos.

O cidadão calcula o valor da prestação, vê que dá para pagar e faz a compra.

Segundo recentes pesquisas e a minha própria vivência, um carro popular pequeno, na faixa de R$ 30 mil a R$ 50 mil, consumiu em 2016 algo próximo de R$15,7 mil, uma média de R$ 1.310,00 por mês, levando em conta as cinco cestas de produtos pesquisadas: combustíveis, peças de reposição, serviços de oficina, seguro e impostos de circulação.

Fora o valor da prestação do financiamento que em média estará na faixa de R$ 700,00 a R$ 1.200,00 por mês.

Não dá né...

Ainda mais em uma era de tecnologia, onde o carro é monitorado por módulos, em um país extremamente quente e que exige uma troca de óleo, filtros de forma regular e o uso adequado de combustível (não adulterado). E depois de o cidadão não ter obedecido a uma série de recomendações do fabricante, o “jeitinho brasileiro” de na última hora repassar “o problema” para o futuro comprador...

Doce engano, pois a falta de manutenção pode provocar uma quebra e o resultado pode ser um gasto ainda maior para quem está vendendo o carro, pois o CDC (Código de Defesa do Consumidor) estabelece que, no caso de o veículo apresentar problemas de qualquer natureza e de fácil constatação, o consumidor tem um prazo de até 90 dias para reclamar. Se tais problemas não forem resolvidos em 30 dias, o consumidor tem o direito de exigir, à sua escolha: a troca do veículo por outro do mesmo padrão, o cancelamento da compra ou o abatimento proporcional do preço (desconto). 

Muito cuidado, o sonho muitas vezes vira pesadelo...

Antonio Cassio Yassaka

Cassio Oficina