Fui secretária bi-língue/assistente de CEOs de várias empresas internacionais e estou aposentada há três anos. Moradora da Avenida Paulista há 8 anos (desde 1º de novembro de 2008).  Somos um casal com uma filha.  Ao considerar uma mudança para outro local, priorizamos facilidade de locomoção por transporte público, principalmente metrô, de preferência ao longo da linha verde, num endereço com opções de comércio e lazer. 

Em 2008-2009, não tínhamos as queixas atuais.  Havia a sensação de segurança mesmo tarde da noite ou madrugada.  A avenida teve sua iluminação modernizada, ficou mais clara e bonita.  Ainda havia arbustos no canteiro central e azaléias florindo em grandes vasos.   A degradação foi progressiva. Moradores começaram a testemunhar a negligência nos cuidados com limpeza, manutenção das plantas, segurança. Surgiram pichações, moradores de rua, ambulantes ocupando calçadas, vendedores de bebidas alcoólicas, pedintes e finalmente a invasão de drogados e o aumento de assaltos.  Por fim, em 2016, o canteiro central foi transformado em ciclovia e a avenida passou a ser fechada para o tráfego nos domingos e feriados.  Desde então, residentes e hóspedes de hotéis sofrem restrições em seus deslocamentos com carro durante 9 horas seguidas, das 10 às 19h.

Antes e acima de tudo a região da Paulista precisa de zeladoria.  O que é de todos, é de ninguém.   Existindo exigências para ocupação por ambulantes, camelôs, artistas de rua, que haja fiscalização constante e que o estabelecido seja cumprido. Se há uma ciclovia, ciclistas têm que aprender a se deslocar nela, não na via, entre os carros e nas calçadas.  A avenida precisa ser percorrida por policiais dia e noite.  Qualquer pessoa ou grupo de pessoas se apossa de espaços para cantar com som amplificado, dançar e fazer performances "artísticas" a qualquer hora do dia e da noite e principalmente de madrugada durante a semana.  Não sabemos a quem reclamar. 

As inúmeras câmeras instaladas na avenida têm que ser monitoradas por agentes com autoridade para enviar policiais a qualquer ponto onde haja um conflito, pessoas em atitudes suspeitas, vendendo ou consumindo drogas, pichadores começando a agir, ciclistas circulando pelas calçadas em preparação de furto de celular, drogados em surto quebrando lixeiras e atirando sacos de lixo na calçada e na própria via pondo em risco motoristas surpreendidos e obrigados a desviar para não atropelar.   

Em segundo lugar, reconsiderar o fechamento da avenida da forma como foi implantado.  Para muitos frequentadores, só há escritórios na Paulista, portanto, ninguém é incomodado num domingo.  Além de ficarmos ilhados em casa, somos reféns do barulho provocado por apresentações artísticas, buzinas de ciclistas e o baque das manobras de skatistas começando pouco depois do amanhecer. 

Que haja medição do nível de ruído provocado por artistas de rua de todo tipo que se apoderam da avenida por horas aos domingos e que sejam medidos os decibéis das bandas e cantores competindo entre si e seja estabelecida uma distância mínima onde há prédios de moradia. 

Enfatizar a vocação da Avenida Paulista como polo cultural vai atrair um público com interesse nos centros culturais já instalados e os que estão por vir, além do MASP.

Eva Silva

Moradora