Sou aposentada, síndica do Conjunto Residencial Suíço há mais de 30 anos.

Em 1958 transferi residência de Salto para São Paulo; vim para estudar e fui morar na Peixoto Gomide, mas meu sonho sempre foi morar na Avenida Paulista.

Em 1970 comprei um apartamento no prédio do qual sou síndica; fui eleita em 1982 e até hoje permaneço no cargo, sendo reeleita a cada dois anos.

Escolhi a Avenida Paulista para morar para viver perto de meu irmão, o falecido deputado estadual e médico José Francisco Archimedes Lammoglia, que trabalhava no Hospital Matarazzo.

Escolhi a Avenida Paulista porque era o cartão de visitas de São Paulo e um local bem residencial e por causa dos inúmeros restaurantes e cinemas que a sociedade paulista da época frequentava.

Na época a avenida era arborizada, onde podíamos admirar os ipês de todas as cores; nessa época São Paulo recebeu a visita da Rainha Elizabeth e do Príncipe Philip.

Aos poucos a Avenida foi se deteriorando para abrir espaço aos carros e ônibus; o canteiro central da avenida foi eliminado e dele foram retirados os ipês que davam colorido ao ambiente.

Percebo que, ao longo do tempo, o progresso piora a vida nas cidades grandes e quem sofre com isso são os seus moradores.

E a vida dos moradores da Paulista piorou muito nos últimos quatro anos, graças à administração municipal da cidade, que implantou a ciclovia onde no passado havia árvores e, não contente com isso, resolveu fechá-la aos domingos para que pessoas de toda cidade venham aqui passear. Não vejo problema que as pessoas venham passear na Paulista, mas atualmente tudo se concentra aqui; manifestações e eventos barulhentos, que tornam difícil a vida de quem paga o IPTU mais caro da cidade.

Porque parar uma avenida, desviar o trânsito para as ruas laterais, esquecendo que há vários hospitais na região e muitos idosos que aqui vivem, justamente porque o deslocamento é mais fácil?

A solução seria utilizar melhor as praças existentes na cidade, muitas das quais em estado de abandono.

Por que concentrar a diversão de uma cidade em uma avenida e não nos parques?

Maria Thereza Lammoglia

Moradora