Na qualidade de moradora, líder do movimento dos moradores da Avenida Paulista, responsável pelo portal "souavenidapaulista.com.br", sócia diretora de empresa também sediada na referida avenida, venho, por esta correspondência eletrônica, expor algumas situações e fazer solicitações em relação aos problemas que foram criados com o Programa Ruas Abertas e que até a presente data não tiveram soluções.

Durante os domingos, além dos moradores sofrerem as dificuldades em relação à liberdade de ir e vir, de receber visitas que só podem chegar de veículo automotor por condições pessoais, há questões relacionadas à locomoção que precisam ser melhor estudadas, vez que idosos não conseguem chegar às suas próprias residências de taxi ou carro, pessoas doentes que necessitam entrar e sair de suas residências, e há grande dificuldade em receber atendimento emergencial caso necessário.

Especialmente no período da tarde, aos domingos há uma concentração inadequada de músicos, bandas, palcos, festas eletrônicas, todos patrocinados por empresas e empresários, e até mesmo a própria Fiesp, que utilizam som para palcos e estádios, equipamentos não condizentes com a via pública, apresentando-se simultaneamente a uns 30 metros  uns dos outros, causando desarmonia sonora, e produzindo som e ruído no mínimo de 80 decibéis cada um deles.

Os visitantes da avenida passam por tais palcos ou artistas e ficam por poucos minutos apreciando cada apresentação, mas os apartamentos dos moradores são inundados por tais ruídos durante o dia todo, horas contínuas,  causando desconforto e "stress" no único dia consagrado constitucionalmente para o descanso do brasileiro.

Por conta de tais apresentações há também uma grande aglomeração de vendedores ilegais, carrinhos de churrasco, vendas que são feitas sem os devidos recolhimentos aos cofres públicos, prejudicando os comerciantes legalmente estabelecidos.

A venda de bebidas é grande, sem qualquer  critério, por ambulantes ilegais, inclusive a menores de idade.

Há verdadeiro comércio de produtos e serviços, totalmente informais, que se repetem todos os domingos, fugindo do recolhimento dos devidos tributos. Encontramos vendas de roupas, cds, bambolês, livros, prestação de serviços de espetáculos, de fotografias, etc, etc.

O lixo produzido devido às vendas ilegais é muito grande e deixado por toda a avenida. Os canteiros de plantas e flores são tomados por vendedores que exibem suas mercadorias sem preocupação com a conservação da avenida.

O novo horário de funcionamento do programa na Avenida Paulista trouxe ainda mais outros problemas para a população local, inclusive os entornos, pois que para poder resolver as tarefas das próprias vidas os moradores só podem melhor se locomover usando seus veículos antes das 9h00 da manhã dos domingos, ou depois das 18h00.

Em caso de domingos com festas eletrônicas, mesmo após as 18h00, não há liberação da via, ainda que a CET empenhe todos os esforços para que a mesma seja desimpedida de pedestres, estes não saem do leito carroçável e continuam as festas e apresentações musicais até 21h00 ou 22h00.

Os relatos apresentados estão registrados por meio áudio visual (fotos e vídeos) que estão à disposição para conferência.

Como todas as outras ruas do programa Ruas Abertas têm horário de funcionamento das 10h00 às 16h00, por questão de isonomia, invocando o princípio constitucional, solicitamos que tal horário também seja implantado na Avenida Paulista aos domingos, a par de sermos contra esse programa, que denominamos de fechamento da via.

Solicitamos também sejam os outros problemas existentes encaminhados para resolução.

Destacamos que a a população residente na avenida é grande, existindo 18 condomínios residenciais, a exemplo, entre a Rua Teixeira da Silva e Joaquim Eugenio de Lima são mais de 1000 (mil) apartamentos residenciais de bom porte, que além de merecerem descanso aos domingos, também pode colaborar com a PMSP para a manutenção do programa com novo formato.

Temos alguns projetos já discutidos entre os moradores como a alternância de domingos, e até mesmo um programa de "Ruas Abertas" itinerantes na própria região da Avenida Paulista e arredores, que é rica em locais bastante interessantes.

Estamos à disposição para a apresentação de tais projetos e também e sempre com distinta vontade de colaborar com a gestão e melhora da Cidade de São Paulo.

Renovando votos de estima e consideração,

No aguardo,

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista