As atividades desenvolvidas aos domingos na Avenida Paulista, principalmente as que contam com potentes aparatos sonoros, fazem diferença no bem estar dos moradores da região.

Todos os domingos e feriados os moradores têm sido bombardeados com atividades musicais de diferentes grupos, tribos, gostos, em palcos, no chão,  com seus potentes aparelhos, incompatíveis com o cenário.

As apresentações se misturam pelo volume alto, muitas vezes impedem o uso da ciclovia e ciclofaixas e mesmo até o simples caminhar.

Os habitantes da região ficam, por horas ininterruptas, expostos a som acima de 80 decibéis,  e são privados do  descanso semanal que é garantido a todos os outros habitantes da cidade.

Os trabalhadores que prestam serviços na região ficam expostos a nível de ruído acima do permitido em leis trabalhistas.

Essa é a grande diferença entre as pessoas que passam pela avenida aos domingos, assistem a uma ou duas horas de shows e vão para seus lares para usufruírem do descanso semanal.

Essas atividades repetidas todos os domingos e feriados já está atingindo o humor, o nível de stress, a qualidade de vida de milhares de cidadãos da região, moradores e trabalhadores.

Essa a diferença entre quem está aqui e  quem vem para a Avenida Paulista para se divertir, relaxar, e depois ir para casa finalizar em paz o fim de semana.

A reflexão sobre diferenças traz à luz a diversidade.  Em sua vocação inclusiva, a comunidade da região festeja a diversidade e a luta que a parada LGBT representa.

Não há contradição entre reclamar do som aos domingos e receber um evento que é muito mais que os trios elétricos que traz consigo.

A parada, ainda que ruidosa e musical, tem seu espaço garantido há vinte anos, está prevista no famoso TAC  da Prefeitura com o Ministério Público e representa a luta de quem está procurando respeito e reconhecimento.

Há barulho sim, há alegria por algumas horas antes do deslocamento e está ligada à luta contra a discriminação.

Aí está a marca da diferença: a parada que representa a diversidade traz alegria, cor, e tem data marcada, até  para que as pessoas que não queiram participar possam programar seus destinos nessa data.

A diferença está nos outros domingos e feriados, constantes,  repetitivos, sem descanso ou intervalo, em que o ruído está ligado a promoções de empresas, produtos, grupos, e até mesmo outros interesses indizíveis.

A diferença está na luta dos discriminados espelhada na parada LGBT, situação que faz pensar na discriminação que os moradores da região da Paulista sofrem com o Programa Ruas Abertas.

Aos domingos e feriados não há paz, não há silêncio, não há descanso.

Os moradores não têm a quem reclamar, todos acham que é direito e que há  autorização de promover a perturbação ao sossego.  Até mesmo alguns vizinhos, estabelecidos,  perdem a noção de espaço e nível de ruído e promovem eventos grandiosos voltados para a rua.

Quem reclama sofre discriminação, hostilidade, e muitas vezes, precisa se deslocar até um distrito policial para registrar ocorrência, junto com o perturbador, que sai da delegacia e continua seu "show", com toda sua aparelhagem.

Os "shows" e exibições musicais ocorrentes todos os domingos e feriados na Avenida Paulista negam e renegam a diversidade, o direito à diferença, discriminam e desrespeitam os moradores da região.

Respeito à diferença e à diversidade!

Fica a dica! 

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista