Já ouviu isso? Já disse isso?

Já pensou nisso?

Depois da repressão veio a liberdade de expressão e nos embebedamos desse direito de falar livremente.

No correr de duas décadas embevecidos que ficamos, talvez não houve oportunidade para perceber um movimento crescente de aproveitamento dessa liberdade de opinião direcionada à falta de respeito.

Ser livre para expressar pensamentos e ideias não significa ser livre para ofender, para atingir a honra de alguém  e nem tampouco para usar discursos e nem redes sociais para disseminar discriminação, ódio e segregação.

Por serem diferentes  e pensarem de forma diversa de um grupo ou até de um singular conhecido, pessoas têm tido suas honras manchadas, outros afastados, e têm sido mesmo censurados por manterem suas individualidades.

É isso mesmo: as pessoas têm sido censuradas por não compartilharem as mesmas ideias, por não serem iguais, por pensarem diferente.

Censura, palavra antiga que envolve amargas recordações, ressurge agora com nova roupa, travestida de discriminação, de segregação, de bloqueio em redes sociais, de manifestações que não admitem que outros cidadãos simplesmente discordem de algo em que acreditam.

A liberdade de expressão tem que passar necessariamente sob o crivo do respeito.

Nestes tempos de confusão entre liberdade de opinião e desrespeito parece vergonhoso ter fé, admitidas algumas religiões apenas como manifestação folclórica e outras como fruto de persuasão ou até  resquício de  velharias.

As mulheres têm que se esforçar muito para mostrarem seu valor e ainda parece inadmissível que possam ser competentes, inteligentes, boas mães, boas filhas,  e bonitas a um só tempo, sem que sejam logo alvo de comentários desairosos e violência verbal e física.

Também não podem ser feias ou fora de padrões de moda e beleza, nem terem características e pensamentos próprios.

E as crianças? E os idosos? E os de "meia-idade" que não são encaixados em nenhum lugar?

Não falo aqui de avanços legislativos e nem de mecanismos de recomposição da dignidade, falo sim da existência de pressão discriminatória e dissimulada dos que não se importam com o respeito ao que não é espelho.

Falo aqui daqueles que chegam na nossa Avenida Paulista colocam aparelhagem de palco e passam a tocar em volume perturbador, e, quando instados a diminuírem o volume rotulam os moradores e estabelecimentos com os mais diversos títulos, e eventualmente apresentam atitudes intimidadoras.

Falo aqui daqueles que vêm de carro até perto da Avenida Paulista, entopem as ruas dos entornos com seus veículos para passearem a pé e assistirem shows e discursos e não se importam com o tolher do direito de ir e vir de quem está estabelecido pela região.

Falo aqui de gente comum, de gente que trabalha, que dá seu máximo para superar a crise econômica e é discriminada e desrespeitada só por seu endereço.

RESPEITO É BOM E EU GOSTO!

Não uso a expressão com ares de arrogância, mas com cor de apelo; não como ordem, mas como pedido de reconhecimento e respeito aos direitos  dos que embora menos ouvidos pelos que gerem as políticas públicas, ignorados pela maior parte da media, também existem e usufruem de igual liberdade de expressão e de todos os seus outros direitos.

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista

 

 


Foto: Leo Martins

Raphaela José Cyrillo Galletti, 

natural da Capital do Estado de São Paulo, advogada e empresária, mantém sua residência e escritório na Avenida Paulista. Graduada em Direito pela FADUSP em 1983, também foi professora e supervisora de ensino do CCAA até 1984, e vice-presidente do Centro de Estudos Tributários e Empresariais entre 1999 e 2003. Desde a graduação atua na área do contencioso e consultoria, além de desenvolver trabalhos administrativos para condomínios.