A abertura da Avenida Paulista apenas para pedestres aos domingos e feriados, mais comumente chamada de “fechamento” pela população local e dos arredores, foi e está sendo divulgada como se fosse uma grande conquista, um ato que teria sido abraçado com elogios por toda a população, sem qualquer óbice ou indicação de problemas.

Esse tipo de abordagem tem sido veiculada em filmes promocionais em cinemas, reportagens de vários telejornais, revistas, jornais impressos, e na rede mundial de computadores, sem que, tal como a administração municipal, os contribuintes diretamente envolvidos na questão tivessem sido ouvidos para prestarem informações corretas e concretas sobre as consequências e problemas que o fechamento causou aos moradores da Avenida Paulista e aos escritórios nela instalados.

Desde o início desse fechamento em outubro de 2015 a administração municipal tem sido reiteradamente alertada sobre os problemas que foram criados e não há grande solução proposta.

A partir de janeiro de 2016 houve início de fiscalização de ambulantes e vendedores informais, o policiamento e limpeza melhoraram, o horário tem sido respeitado, e os veículos de moradores estão podendo entrar em seus condomínios com menor resistência dos agentes públicos, mas continuam sofrendo problemas de hostilidade dos transeuntes.

Contudo, os maiores problemas não foram solucionados. A lista é grande, mas um destaque é a poluição sonora.

Há quem tenha dito que haveria silêncio aos domingos com o fechamento, pois a população estaria livre de ruídos dos veículos de passeio e ônibus. Esses nunca estiveram na sala de um morador da Avenida Paulista durante um domingo todo para comparar a diferença!

Aos domingos, pela manhã, os moradores muitas vezes acordam ao som de músicas que embalam exercícios de grupos de “zumba” em volume absurdamente alto!

Ao longo do dia, a cada 50 ou 100 metros de distância entre si, outros grupos musicais se apresentam, numa verdadeira “competição ou guerra sonora”, tornando impossível uma simples leitura nas residências e escritórios (pois há profissionais e empresas que trabalham aos domingos nos edifícios da avenida).

Em recente episódio houve uma “balada” de dia a céu aberto, que durou muitas horas, e as pessoas que acompanharam a música eletrônica lá tocada portavam garrafas de vidro com bebida alcoólica, latas e outros objetos, como numa festa tipo “rave” - fora de local e período.

As apresentações musicais e festinhas continuaram após a liberação da avenida para veículos e som alto continuou entrando pelas salas e quartos dos moradores que sequer puderam descansar e tiveram um dia de descanso afetado e abalado, socorridos apenas por algumas ações policiais.

E o lixo: ah! O lixo! Os trabalhadores de coleta não deram conta do lixo acumulado em torno da tal “balada”, a avenida foi limpa já tarde da noite, e os moradores que pensavam que iriam finalmente descansar, ficaram ouvindo os caminhões da recolha do lixo!

Os noticiários, filmes promocionais, as reportagens não estiveram na Avenida Paulista nesse domingo das festinhas e não estiveram nas residências dos moradores para testemunharem a perturbação do sossego deles.

Aqui nasce uma ideia: que tal as autoridades passarem um dia nos apartamentos dos moradores, primeiro tentando chegar com seus familiares para um almoço de domingo, e depois tentar um convívio feliz ao som da competição de apresentações na avenida?

Fica a dica!

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista