“Há quem diga que dormi de touca, que perdi a boca, que eu fugi da briga...”  

Os versos famosos do autor Sérgio Sampaio bem se aplicam à comunidade da Avenida Paulista e entornos, pois grandes são os desafios de seus moradores e dos que se estabeleceram nessa região, também em relação à segurança, pois enfrentam desde as grandes manifestações, aglomerações, vendas ilegais, até pequenos furtos, além de alguns casos de atropelamentos com mortes e poucos, mas ocorrentes, homicídios.

Inclusiva, diversa e diversificada, a comunidade da região, sempre em busca da modernidade, “não dormiu de touca”, “nem deu bobeira” e colocou seu bloco na rua para melhorar as condições de segurança da mais glamurosa das avenidas paulistanas, integrando o Programa Vizinhança Solidária.

Se é verdade que o desafio se mostrou grande e difícil num primeiro momento, também é verdade que a sociedade civil já organizada, buscando respostas, resolveu fazer parte das soluções, e como já tivesse o movimento de moradores, coeso, guerreiro, e do qual centenas de pessoas fazem parte, achou no programa mais um fator agregador.

Os moradores e comerciantes locais já possuindo esse sentimento de pertencimento, de necessidade de visibilidade e mais que isso, de vontade de participação nas melhorias dos lugares onde passam a maior parte de suas vidas, encontraram no programa a situação ideal para contribuir, colaborar e tornar mais seguras as ruas dos entornos e a própria Avenida Paulista.

A 3ª. Cia do 11º Batalhão da Polícia Militar/M, através da Capitão Jaqueline Teixeira Ferraz, atendendo os anseios da comunidade, tomou todas as medidas e providências para a instalação do programa na Avenida Paulista, desde a reunião, até a instalação das placas e formação dos grupos de comunicação.

O programa utiliza as relações de vizinhança aliadas à moderna tecnologia de comunicação para a inibição de cometimento de delitos nas áreas onde há vigilância, sem desconsiderar as outras formas de policiamento ostensivo e investigativo, integrando todos os elementos no combate contra o crime.

Não se trata apenas de algumas reuniões, de colocação de placas e grupos em redes sociais, trata-se de união, de sentimentos de ajuda mútua e parceria, trata-se também de aprendizado de cautelas, de prevenção primária contra o crime, de divulgação de atitudes que podem fazer total diferença, de treinamentos e capacitações, de enxergar em cada vizinho e na Polícia Militar aliados na salvaguarda do bem viver e na diminuição de ocorrências policiais.

Não se trata de viver reclamando dos índices de criminalidade, de viver assistindo tudo de longe,  e conversando sobre o noticiário, mas de se tornar participante ativo nas melhorias da rua, do bairro, da cidade, de poder fazer a diferença, de sair da posição passiva e se tornar um elemento importante e ativo para o bem da comunidade toda.

A Avenida Paulista, a Rua São Carlos do Pinhal, a Rua Carlos Sampaio, várias ruas dos Jardins, do Alto da Bela Vista, e outras vias públicas dos entornos já estão engajadas, os moradores participantes, colaboradores, vizinhos solidários na luta contra o crime, sentindo-se próximos e parceiros da Polícia Militar, estabeleceram, através do programa, o fortalecimento de suas relações de vizinhança.

Retomando os versos de Sérgio Sampaio o programa vizinhança solidária formou mesmo seu bloco vigilante e o colocou na rua para quem quiser ver, pois as placas identificam que onde há vizinhança solidária a área está vigiada pela comunidade.

Como não sou de fugir de briga, de ficar quieta nem de dormir de touca, tenho a honra (e o desafio) de ser a tutora da Avenida Paulista no PVS e estimular os vizinhos a participarem, divulgando as orientações de cautelas e prevenção primária, estimulando a fazerem suas ocorrências através do 190 e do portal da Polícia Militar, divulgando os protocolos, cuidando para que a união e o sentimento de pertencimento, de agregação sejam cada vez mais intensos e produtivos.

 

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista

 

 


Foto: Leo Martins

Raphaela José Cyrillo Galletti, 

natural da Capital do Estado de São Paulo, advogada e empresária, mantém sua residência e escritório na Avenida Paulista. Graduada em Direito pela FADUSP em 1983, também foi professora e supervisora de ensino do CCAA até 1984, e vice-presidente do Centro de Estudos Tributários e Empresariais entre 1999 e 2003. Desde a graduação atua na área do contencioso e consultoria, além de desenvolver trabalhos administrativos para condomínios.