Ah, a arte...   arte em todas as suas formas, concepções, em toda sua riqueza ...  expressão máxima do ser humano que enche os corações, os pensamentos, as almas, as faces subjetivas e objetivas das pessoas, tocando lados claros e ocultos de cada um.

A arte que todos gostam, a arte polêmica, a arte incompreendida: arte é arte! Criatura e criação se comunicando com a sociedade, alcançando um espectador ou múltiplas gerações, apreciada, negada, criticada, elogiada, e até mesmo escondida, não deixa de ser arte.

A música, sem dúvida é uma das formas mais conhecidas de arte, talvez uma de suas expressões mais populares. A música pode encerrar em alguns acordes os sentimentos de toda uma vida, histórias felizes, dores, sonhos, rebeldia, planos, revoltas, conciliações, momentos, e, no entanto, não é menos polêmica que as outras expressões artísticas.

A região símbolo da Cidade de São Paulo não estaria fora dos sonhos dos artistas de rua após o advento do Decreto Municipal n. 55.140/14, que regulamentou a Lei n. 15.776/13, que dispõe sobre apresentação de artistas de rua no Município de São Paulo.

A complexidade de uma avenida como a Paulista também gerou grandes problemas a todos os setores envolvidos, tanto artistas como espectadores e mesmo a comunidade local, tendo a administração pública tentado resolver a questão através da demarcação de 50 pontos onde todo tipo de arte, desde que respeitada a referida lei, pudesse ter seu espaço.

Dividiriam tal espaço os artesãos, os músicos, os artistas plásticos, enfim, respeitada a chegada, com mudança de artistas cada 4 horas de apresentações, estaria resolvido o problema, mas não foi o que ocorreu. Os pontos demarcados, ao longo do tempo, foram sendo invadidos por vendedores irregulares, vendas do chamado popularmente de “industrianato”, e os músicos não alcançaram nenhum espaço. Em seguida, a quantidade de tanta diversidade aumentou, comprometeu a acessibilidade das calçadas, e hoje a fotografia mostra um uso indiscriminado das calçadas da Avenida Paulista a qualquer hora do dia e da noite.  Também há avisos de fiscalização e correria pelas calçadas.

As apresentações tomaram mais vulto aos domingos e uma guerra sonora se instalou por toda a Avenida Paulista, com todo tipo de incomodidades que alcançam os entornos e são objetos de ocorrências e reclamações.

A solução, entretanto, é simples, nada complexa, bastando todos encararem a Avenida Paulista, Rua Aberta ou Rua Fechada, como uma avenida onde há uma comunidade que recebe os frequentadores dos domingos para lazer, cultura e esportes, mas que não deixa de ser avenida, não deixa de ser de todos, e não deixa de ser de quem nela está estabelecido.

A simplicidade está no respeito à lei, como por exemplo, respeito ao limite de emissão sonora, não haver apresentações a cinco metros de estações de metrô, portões de acesso de estabelecimentos de ensino, a menos de cinquenta metros de hospitais, casas de saúde, públicos ou particulares, não podendo ainda haver apresentações em frente a guias rebaixadas, portões de acesso a edificações públicas e particulares, nem em frente a farmácias, hotéis e residências.

A arte é sempre bem vinda, mas respeitar a lei, não faz mal a ninguém!

 

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista

 

 


Foto: Leo Martins

Raphaela José Cyrillo Galletti, 

natural da Capital do Estado de São Paulo, advogada e empresária, mantém sua residência e escritório na Avenida Paulista. Graduada em Direito pela FADUSP em 1983, também foi professora e supervisora de ensino do CCAA até 1984, e vice-presidente do Centro de Estudos Tributários e Empresariais entre 1999 e 2003. Desde a graduação atua na área do contencioso e consultoria, além de desenvolver trabalhos administrativos para condomínios.