Desde a implantação/imposição do Programa Ruas Abertas na Avenida Paulista o bairro e as regiões circunvizinhas têm sofrido problemas antes não previstos que só estão se avolumando, pois que novidades aparecem a cada feriado e a cada domingo. As ações e avanços que foram promovidas ficam, muitas vezes, escondidas nesse cenário problemático.

As questões problemáticas passam por todas as esferas de incomodidades, da guerra sonora a um verdadeiro mercado a céu aberto, sem lei e sem ordem, chegando ao absurdo dos frequentadores, usuários, empresas e o povo em geral terem noção errônea pensando que tudo pode, que nada é proibido e que é proibido proibir.

Idealizado para lazer, o programa ruas abertas na Paulista, logo foi se tornando palco para exibições artísticas musicais em níveis insuportáveis, em competições sonoras, chegaram os vendedores irregulares de comida e bebida, os vendedores e prestadores de serviços que trabalham à margem da legalidade.

O comércio e prestação de serviços ao longo da avenida, de maneira irregular, é um dos enfoques dos problemas ocorrentes aos domingos, e agora, não bastassem esses fatos,  os vendedores invadem espaços e propriedades particulares.

Não fosse suficiente o uso dos 48 metros de largura do leito carroçável – 8 faixas de rolamento, a ciclovia, os 7metros de calçada de cada lado (14m de passeio), os vendedores agora usam as propriedades particulares para pendurarem, exporem, fazerem estoque, etc. , etc.,  de suas vendas e até mesmo tendas de barbearias, tendas de ensino de dança e esportes, locação de skates tipo longboards, cursos, e o que mais se pode encontrar pelo caminho nas propriedades particulares, públicas e até nos bens tombados.

É proibido invadir – o uso de propriedade particular, seja grade, vidro, escada, parapeito, jardim, é senão invasão de propriedade particular, pública e até os bens tombados, pois tudo isso é parte da fachada de cada edificação.

O fato é espantoso, pois em caso de condomínio, não é permitido ao condômino, nem em edificações comerciais nem nas residenciais, qualquer modificação nas fachadas, nem o uso indevido, com exposições, propagandas, cartazes, mas os que vivem à margem da lei podem usar propriedade alheia, de quem contribui com os cofres públicos pagando IPTU, ISS, taxa de licença e funcionamento, que emite notas fiscais de serviços e vendas.

Seria desnecessário mencionar que os custos de manutenção e conservação dos imóveis, que muitas vezes são danificados por esse uso indevido de suas fachadas e proteções frontais, que ainda servem ainda de camarotes para shows, recaem sobre seus proprietários, que assim, mais uma vez, pagam a conta dos que acham que na Paulista tudo é permitido aos domingos e feriados.

É proibido impedir que moradores e usuários dos prédios comerciais entrem e saiam de suas moradias e escritórios pela presença de grupos musicais ou de vendas e serviços que se instalam em frente aos portões de acesso até mesmo de pedestres dos condomínios.

É proibido invadir propriedades e usar parte delas, mesmo sendo só grades como diriam os irregulares, para fazer do local sua loja ou qualquer coisa que o valha!

É proibido invadir! É proibido deixar a conta para os proprietários dos imóveis! É proibido danificar propriedade alheia, particular ou pública!

É proibido proibir o livre uso e gozo da propriedade particular!

 

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista

 

 


Foto: Leo Martins

Raphaela José Cyrillo Galletti, 

natural da Capital do Estado de São Paulo, advogada e empresária, mantém sua residência e escritório na Avenida Paulista. Graduada em Direito pela FADUSP em 1983, também foi professora e supervisora de ensino do CCAA até 1984, e vice-presidente do Centro de Estudos Tributários e Empresariais entre 1999 e 2003. Desde a graduação atua na área do contencioso e consultoria, além de desenvolver trabalhos administrativos para condomínios.