Em 1891 foi inaugurada a mais paulista e mais paulistana das avenidas de uma cidade que ao longo de seus 463 anos se tornaria a maior metrópole da América Latina.

A ideia do engenheiro uruguaio, que estudou na Alemanha, Joaquim Eugênio de Lima, era a de fazer um eixo planejado, sofisticado, para abrigar no alto do planalto uma burguesia que se estabelecia no sudeste do país, nos moldes e com ares europeus.

A avenida começou tímida, mas em pouco tempo as cercas dos terrenos deram lugar aos casarões que mantiveram grandes áreas verdes, e a ideia do engenheiro se tornou realidade, já demonstrando sua verdadeira vocação: a diversidade cultural que já era registrada na arquitetura de suas construções. A preservação dos ares idealizados trouxe a essa avenida um parque, o Parque da Avenida, hoje Parque Trianon, motivo de orgulho da cidade toda.

Em 1947 a Avenida Paulista ganhou seu maior e mais conhecido edifício: o MASP – Museu de Arte de São Paulo, cuja imagem se confunde com a da própria avenida, por sua arquitetura, por sua importância, pelo seu acervo, pela movimentação de suas exposições.

Durante muitos anos a Avenida Paulista se manteve, até mesmo por força das leis e posturas municipais, uma área exclusivamente residencial, situação que perdurou até o final da década de 50.

Como sua vocação principal sempre foi a diversidade e a modernidade, a Avenida Paulista, a partir dos meados de 50 passou a abrigar seus primeiros arranha-céus, destacadas as inaugurações do edifício Anchieta, do Conjunto Nacional, do Condomínio Edifício Nações Unidas, do Condomínio Edifícios Paulicéia e São Carlos do Pinhal. Preservando a característica residencial algumas das construções de então passaram a ter comércio e serviços em galerias internas, como uma origem dos modernos shoppings centers, que foram criadas para que os moradores das imediações tivessem um mini centro de compras e serviços, sem que precisassem se deslocar para o antigo centro da cidade.

Outros edifícios foram erguidos, e com as mudanças das posturas municipais, a avenida pôde abrigar escritórios, bancos, serviços, e muitos casarões deram lugar a espigões novos e com uma arquitetura ousada para sua época.

Os condomínios residenciais antigos foram preservados e nela ainda reside uma grande comunidade que se orgulha da rua de sua casa, de sua diversidade e de seu caráter inclusivo.

Os moradores da Avenida Paulista passaram a conviver com agências e centrais bancárias, grandes escritórios, restaurantes e cafés, viram seus cinemas serem fechados e trocados pelas modernas salas dos shoppings centers, e gostaram de conviver com o mundo que se formou a sua volta.

Os moradores da Avenida Paulista viram os bondes, os ônibus elétricos, e hoje são servidos por grandes ônibus biarticulados e pela linha verde do metrô.

Acompanharam os corsos da década de 40 e 50, do carnaval dos enriquecidos, o movimento dos “caras pintadas”, e passaram a ver em sua rua toda a movimentação política nacional e até manifestações internacionais.

A Avenida Paulista de todos, dos que nela trabalham, dos que nela passeiam, dos seus moradores, dos antigos e dos novos, dos que escolheram ou foram por ela escolhidos, dos que já chegaram e dos que sonham em nela residir.

Avenida Paulista de tantas histórias e referências que faz todos sonharem.

Por isso SOU AVENIDA PAULISTA!

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista