A Avenida Paulista aos domingos, após a implantação do “Programa Ruas Abertas” tem enfrentado a ousadia dos frequentadores em uma guerra sonora de difícil convivência.

Apresentações e festas são marcadas por meio de redes sociais, diversas outras de menor expressão, também se dirigem para a via aos domingos e feriados. Os artistas se apresentam desordenadamente, próximos uns dos outros, com uso de equipamentos potentes e tudo se transforma numa verdadeira poluição sonora que invade os apartamentos dos moradores durante horas ininterruptas. 

Os performistas da avenida conscientes ou não da existência de milhares de apartamentos residenciais ao longo da via, e em busca de visibilidade, de um sucesso efêmero, fugaz, para pequenos grupos, usam potentes aparelhos que amplificam o som os quais se misturam e distorcidos refletem uma torre de Babel.

A desordem e as incomodidades infringem regra constante do próprio decreto Ruas Abertas, estabelecida em um de seus poucos artigos:

“Art. 4º Nas Ruas Abertas, são permitidas manifestações artísticas, culturais e esportivas, mediante pactuação com a respectiva Subprefeitura, com validade de até 30 (trinta) dias, podendo ser renovadas até o período máximo de 90 (noventa) dias.

§ 1º As atividades de que trata o “caput” deste artigo devem observar os níveis máximos de ruído e os demais parâmetros de incomodidade estabelecidos pela legislação vigente”.

Os artistas, performistas, músicos e demais apresentações que ocorrem aos domingos não acatam a legislação como um todo, ou seja, não procuram a respectiva Regional para pactuar suas apresentações e não mostram qualquer preocupação com os parâmetros de incomodidades, tendo em vista as condutas que adotam. Os dizeres do parágrafo primeiro sugerem que precisam de autorizações válidas por 30 dias, renováveis ou não, situação que implica fiscalização e outros regramentos.

Diversas empresas “tomam conta” do espaço aberto e colocam seus potentes aparelhos, propagandas, prestação de serviços e vendas, a céu aberto, sem qualquer contribuição, ainda que obrigatória aos cofres públicos.

Esses, não são, absolutamente os artistas de rua! Esses são os que não querem se preocupar com nada, os que quando abordados ofendem os agentes da lei, não respeitam os pedidos de diminuição de intensidade de som ou ruído, e proclamam palavras de ordem com ofensas aos agentes públicos que cumprem seu dever.  

Esses frequentadores da Avenida Paulista nos dias de Programa Ruas Abertas colocam muitos geradores de energia ao longo da via, próximos uns dos outros, sem qualquer aviso, proteção, sem qualquer cuidado, no meio dos transeuntes, e ainda fios com energia sem cuidados necessários, por onde os pedestres transitam, e não querem ser fiscalizados, e não querem que as autoridades exijam o mínimo necessário para as instalações.

Abordados, como já dito, demonstram revolta, gritam palavrões nos microfones com ofensas aos agentes públicos que muitas vezes são acionados pela população para auxiliar nas questões das incomodidades não permitidas mas ocorrentes e recorrentes.

A Prefeitura Regional da Sé tem agido de forma a não autorizar shows, instalação de palcos, e tomado outras medidas que são significativas, algumas amplamente noticiadas pela imprensa, tanto em relação aos domingos e feriados como nos outros dias da semana.

Tais medidas, por vezes criticadas pela grande imprensa,  têm auxiliado a população local, que retoma a vontade de colaborar com a administração para a melhora da cidade.

Mas, não é só com o barulho dos domingos que a população da região está preocupada e ocupada, mas também com os outros reflexos que essa “abertura” da avenida traz para todo o bairro nesses dias, como o aumento de crimes contra o patrimônio, como a ocupação das ruas transversais como se fizessem parte do programa.

As ruas transversais estão sendo tomadas, em seus primeiros quarteirões, ou seja, da Paulista para Alameda Santos e da Paulista para a Rua São Carlos do Pinhal, por caminhões com apresentações, por empresas com suas tendas e stands, o que não pode ser tolerado pela população do bairro.

A comunidade também está preocupada com suas áreas verdes, com seus dois parques, que são agredidos pelo lançamento de lixo da rua através de suas grades para dentro. Com o uso de seus canteiros existentes nos passeios como bancos e como depósitos de mercadorias e lixo.

Paulista organizada, multifacetária, inclusiva, respeitando diferenças, retomando uma paisagem mais verde que encanta e traz bem estar aos seus frequentadores, moradores, a vizinhança, com a colaboração de todos os setores dos bairros dos quais faz parte, e da administração municipal tem que ser o foco da união para melhorar a região.

 

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista

 

 


Foto: Leo Martins

Raphaela José Cyrillo Galletti, 

natural da Capital do Estado de São Paulo, advogada e empresária, mantém sua residência e escritório na Avenida Paulista. Graduada em Direito pela FADUSP em 1983, também foi professora e supervisora de ensino do CCAA até 1984, e vice-presidente do Centro de Estudos Tributários e Empresariais entre 1999 e 2003. Desde a graduação atua na área do contencioso e consultoria, além de desenvolver trabalhos administrativos para condomínios.