O fechamento total da Avenida Paulista aos domingos para o trânsito de veículos automotores é senão excludente e figura como arbitrário. Essa é a conclusão após quase um ano e meio da medida. Foi realizado sem pesquisa, sem estudo e não houve consulta a nenhum setor de nossa comunidade.

A ideia da administração anterior foi articulada pelos movimentos que chamam a situação de "abertura da Paulista", enquanto os moradores recebem a ideia como "fechamento da rua de seus lares". O fechamento parcial (duas pistas para bicicletas além da ampla ciclovia) é medida que traz um desenho mais democrático, de inclusão, condizente com a própria avenida em discussão.

Há nela 17 condomínios residenciais, a maioria deles com entrada e saída pela própria avenida. Atendendo a legislação vigente, os moradores só podem efetuar mudanças, retirada de entulho, aos sábados, domingos e feriados. O fechamento diminuiu muito as possibilidades de movimentação de quem reside nesses condomínios, cujas unidades residenciais possuem IPTUs caros.

Para exemplificarmos melhor, entre a Avenida Brigadeiro Luis Antonio e a Alameda Joaquim Eugênio de Lima há, em 3 condomínios, 870 apartamentos residenciais de ótimo tamanho cada um. Esses moradores ficaram impedidos de receber visitas em suas casas, especialmente as que não pudessem chegar de metrô, a pé ou de bicicleta, sem falar na gama de situações corriqueiras dos lares nos finais de semana, como entrar e sair de carro com malas, compras, etc.

O atendimento emergencial desses moradores também ficou prejudicado, pois difícil é a chegada de veículos de socorro e resgate. Há grande número de idosos nesses edifícios. Os moradores que chegam de carro as suas próprias garagens, ainda que obedecendo as regras da CET, são hostilizados. Os moradores que passam com suas compras, vindo dos mercados nos arredores são também hostilizados, e sempre em risco de serem atropelados  por ciclistas e skatistas que não ficam restritos a ciclovia e a ciclofaixa.

A Avenida Paulista comporta e abriga todos, e nenhuma iniciativa pode perturbar o livre uso e gozo da propriedade residencial, comercial, e excluir o livre acesso da maneira que os residentes escolhem, nem restringir o direito de quem nela quer passear.

Os moradores da Avenida Paulista e todos os setores que compõem a comunidade da nossa rua querem soluções para os problemas que surgiram a partir do fechamento, incluindo o aumento de furtos e roubos na região.

A Avenida Paulista é inclusiva e não excludente!

Raphaela Galletti

Liderança dos Moradores da Avenida Paulista