Vende-se ou Aluga-se – por toda a cidade de São Paulo as placas estampam esses anúncios principalmente em imóveis comerciais.

O primeiro pensamento ou ideia está ligado à crise econômica, às dificuldades dos empresários e empreendedores para manterem seus negócios arcando com uma carga tributária implacável e cara, obrigações trabalhistas originadas numa legislação que não é modernizada e não se adapta aos novos tempos, e sim, a falta de dinheiro no mercado para movimentar indústrias, comércios e serviços.

A análise mais aprofundada indica que esse é só um dos fatores que pesam na desocupação de imóveis de algumas regiões, já que os valores dos aluguéis têm sido negociados a bom preço, e os proprietários de imóveis comerciais já se adaptaram à nova realidade.

O uso de grandes imóveis pressupõe empresas de grande porte, cujos investimentos estão sendo canalizados para sua sobrevivência no mercado, adaptados a uma nova visão que inclui “home office”, terceirização, compartilhamento, procedimentos virtuais com diminuição de custos com instalações.

Há regiões na cidade que foram marcadas por um êxodo, uma desocupação motivada, desde 2013, pelas dificuldades de acesso e segurança em função de manifestações.

As dificuldades locomoção, a violência de alguns grupos, o tumulto envolvido nas grandes manifestações populares geram dificuldades para as empresas.  Os diretores e funcionários não conseguem manter nível de concentração adequado, agitados que ficam também não se alimentam adequadamente, e a insegurança toma conta do ambiente de trabalho.

Na busca de melhores condições de trabalho com economia no valor do aluguel desocupam os imóveis localizados nessas rotas de manifestações e, se não encerram suas atividades, diminuem seus problemas.

Questões de manifestações remetem todos a alguns eixos de locomoção da cidade como a Avenida Paulista e seus entornos, região que tem registrado índice de desocupação não registrado em outros tempos.

Manifestações e ocupações, violência e medo fazem os escritórios se afastarem da Avenida Paulista, e os imóveis serem cada vez mais desvalorizados.

A esses fatores ficam acrescidas as dificuldades de acesso aos escritórios aos domingos e feriados, resultantes do fechamento da avenida, pois muitas empresas e escritórios precisam de expedientes, plantões, e outras atividades inclusive aos domingos.

A voz das ruas deve ser ouvida, a liberdade de expressão merece respeito, mas as pessoas que trabalham nos arredores dos corredores das manifestações merecem igual respeito. 

Luiz Alberto da Silva Vieira

SMAC SS Ltda   


Foto: R. Galletti 

Luiz Alberto da Silva Vieira, 

português, natural da Ilha da Madeira, chegou a São Paulo com poucos de meses de idade e já cresceu paulistano. Formado em turismo, publicitário, abraçou a carreira de administração de condomínios, como sócio da empresa SMAC SS Ltda., alguns anos após ter experiência exercendo o cargo de síndico do Condomínio Edifício Nações Unidas, um dos símbolos da Avenida Paulista.