Pelo WhatsApp as mensagens circulam em ciclos. Você recebe uma mesma mensagem de diferentes grupos. Depois ela é esquecida e, de repente, volta com força total, como se fosse a maior das novidades.

Foi assim que esta semana recebi 5 (cinco) vezes a seguinte mensagem:

"Eu cresci comendo a comida que minha mãe podia colocar na mesa, sempre respeitei minha mãe e as pessoas mais velhas...

Tive TV com 3 canais e não mexia para não quebrar, e antes de sair para escola arrumava a minha cama...

Fazia o juramento à bandeira na escola, bebia água de torneira, andava descalço, tênis barato e roupas sem marca, não tive celular, nem tablet e muitos menos computador...

Ajudava minha mãe nas tarefas de casa, e não achava que era exploração infantil, tinha horário para dormir.

Quando tirava boas notas não ganhava presentes, porque não tinha feito mais que minha obrigação. Notas baixas era castigo, apanhava quando aprontava e isso era apenas um corretivo e não caso de polícia!

E não sou revoltado, não faço análise em médico, e não falta nenhum pedaço em mim.

Menos frescura e mais disciplina para essa geração!

É disso que o mundo e as crianças estão precisando: Ordem, Respeito, Disciplina, Bondade, Educação, Obediência e Amor...

Por um mundo onde não haja só Direitos, mas também Deveres.

Se você também faz parte dessa elite, COPIE E ENVIE para mostrar que sobreviveu."

Padre Fábio de Melo

Este pensamento coincidiu com aquilo que já pensava escrever nesta semana, pois os últimos acontecimentos me levavam exatamente à discussão sobre “Ordem, Respeito, Disciplina, Bondade, Educação, Obediência e Amor...”

Estamos vivendo em São Paulo uma total falta de respeito e ordem.

Parece que ninguém sabe que a liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro.

Tenho o direito de me manifestar? Tenho.

Tenho o direito de gritar pelo que acredito? Tenho.

Tenho o direito de reivindicar? Tenho.

Tenho o direito a impor tudo isto aos outros sem respeitar os direitos de todos? NÃO.

Parece que os diferentes atores sociais e políticos esqueceram isto.

Enquanto, de um lado, uns se manifestam, gritam, reivindicam sem ordem e respeito pelos outros, pelo bem público; de outro lado, as autoridades mantêm-se caladas, compactuando com o desrespeito, com a falta de ordem.

Quem ganhou? Ninguém.

Quem perdeu? Todos.

Os manifestantes passaram a ser vistos pela população como um bando de desocupados. Suas reivindicações passam a ser vistas com desdém. As entidades que os apoiam caem em desgraça aos olhos da população.

O poder público passou a ser visto pela população como coniventes, ou, no mínimo, ausentes. Demagogos que pregam a ordem, a limpeza, a disciplina, o respeito, mas nada fazem por isto. Nós já vimos políticos serem execrados por não atenderem aos anseios da população. Na realidade, não atender a estes anseios é o fato que mais se reflete negativamente nas urnas. E temos bons exemplos disto, basta olharmos para outubro passado.

Nós, cidadãos, que somos obrigados a aceitar o desrespeito, a falta de ordem, a imundície, a baixeza enaltecida.

Desculpem, mas não dá para me calar, pois como disse Edmund Burke, filósofo do século XVIII: "Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada."  

Kátia Issa Drügg

GD Assessoria


Foto: Ricardo Bozza 

Kátia Issa Drügg, 

professora. Graduada em Pedagogia pela USP. Mestre em Filosofia da Educação pela PUC-SP. Trabalhou na Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de São Paulo de 1969 a 1995. Foi professora em diferentes Faculdades. É palestrante e consultora em RH. Implanta Programas de Gestão em empresas de diferentes segmentos com vistas à obtenção de certificação. É autora de vários artigos e de livros. Atualmente é Diretora Técnica da GD Assessoria e Superintendente do Instituto Paulista Profissionalizante - IPP.