A tarefa de construir a vida social, familiar e individual não pode prescindir do diálogo.

Dialogar é a capacidade humana de se dirigir ao outro, nas concordâncias e nas oposições, de forma consciente, lúcida e plena de escolhas.

O diálogo não admite ódio, vinganças e aproveitamento ilícito de oportunidades.

Somente pelo diálogo os diferentes segmentos da sociedade construirão uma cultura que sustente princípios e legalidades. A real participação cidadã acontece apenas pelo diálogo.

“As guerras, os acirramentos partidários, o recrudescimento da violência, os fundamentalismos - religiosos e políticos -, as inimizades, as crises familiares, tudo advém de incompetências humanas na essencial capacidade para dialogar. Uma qualidade fundamental para se escolher bem, decidir e garantir rumos adequados. Quando falta a indispensável competência da reciprocidade conquistada pelo diálogo, as consequências são sempre desastrosas. Líderes incapacitados para o diálogo, particularmente no âmbito da política, são obstáculos nos funcionamentos da sociedade, prejudicando o bem comum”. (Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte)

Sem diálogo não há democracia, sem diálogo haverá sempre um opressor e um oprimido, sendo o opressor aquele que agride, que escamoteia a possibilidade de diálogo, que não aceita as divergências, que não usa a razão, que se passa por vítima, independente da posição social ou hierárquica que ocupe.

Aquele que não admite o diálogo não tem respeito pelo outro e não promove o bem comum, compromete a civilidade, a ordem e a justiça.

A Educação Popular, inspirada, originalmente, na obra e na prática política de Paulo Freire, vem passando por marcantes transformações.

Hoje entendemos por Educação Popular aquela educação voltada para nos conduzir de uma situação de passividade à proatividade, no que diz respeito à luta pelos nossos direitos na sociedade, de forma que passamos a ser sujeitos da nossa história. 

Esta proatividade passa pela linguagem e pela capacidade de comunicar-se, uma vez que libertar-se da opressão não é algo isolado, mas coletivo, de modo que os indivíduos conjuntamente se libertam. Neste sentido é que a interação destes indivíduos requer comunicação entre todos os atores sociais.

Por diálogo, compreendemos a comunicação entre duas ou mais pessoas, de forma que todos tenham igual direito à voz.

Existe uma cultura que precisa ser rompida, que é a do silêncio, própria das sociedades oprimidas, onde não se tem voz, ou direito a ela. 

A comunicação pode ser antidialógica quando é um monólogo, ou mesmo, quando dentro de uma falsa aparência dialógica nega ao outro o direito à fala que discorde da sua.

A maturidade política, a democracia, a superação da relação opressor / oprimido exigem o respeito ao outro, a capacidade de ouvir e dialogar, a consciência de que a minha liberdade tem por limite a liberdade do outro, a ordem, a manifestação consciente, sadia e lícita.

Evelyn Beatrice Hall, na biografia de Voltaire, pretendendo ilustrar as convicções do filósofo imputa a ele a frase: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-las”.

Hoje, devíamos aprender com Voltaire, deveríamos defender até a morte o direito de cada um dos que me cercam e lembrar a cada minuto que isto é respeito e que se quero ser respeitado devo saber respeitar.

Kátia Issa Drügg

GD Assessoria


Foto: Ricardo Bozza 

Kátia Issa Drügg, 

professora. Graduada em Pedagogia pela USP. Mestre em Filosofia da Educação pela PUC-SP. Trabalhou na Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de São Paulo de 1969 a 1995. Foi professora em diferentes Faculdades. É palestrante e consultora em RH. Implanta Programas de Gestão em empresas de diferentes segmentos com vistas à obtenção de certificação. É autora de vários artigos e de livros. Atualmente é Diretora Técnica da GD Assessoria e Superintendente do Instituto Paulista Profissionalizante - IPP.