Se você entrar no blog do MNM - Móbile na Metrópole - você verá a seguinte citação sobre pichações:

Temos a pichação como algo muito presente em São Paulo, e há uma tendência a se pensar que ela surgiu recentemente. O pixo começou a tomar força no Brasil na época da ditadura militar, em que militantes pichavam os muros das cidades como protesto em relação ao que estava acontecendo, e em geral, eram apenas frases escritas, não tendo nenhuma característica específica. Em São Paulo, entretanto, foi desenvolvido um estilo para pichação conhecido como Tag Reto, que significa assinatura, e consiste em trazer uma forma de desenho para as letras, sendo utilizado para diferenciar grupos de pichadores. Esse estilo tem por característica letras retas, pontiagudas e alongadas, sendo típico em São Paulo e único no mundo. 

Já os grafites são considerados arte urbana. O que muitos não sabem é que este tipo de arte existe desde a Antiguidade, presente também na Idade Média, em que as pessoas utilizavam a pichação como uma forma de protesto, ou como meio de expor um ponto de vista, assim como é hoje em dia.

Para o sociólogo Alexandre Barbosa Pereira, pesquisador de Antropologia Urbana da UNIFESP, a dissociação entre grafite e pichação contribuiu para que o grafite começasse a ser aceito, mas apenas como forma de combate ao picho.

O assunto gera polêmica: o grafite e a pichação em edifícios públicos eram considerados crimes ambientais e de vandalismo pela legislação brasileira. Em maio de 2015, somente o grafite foi descriminalizado. Afinal, pichar e grafitar é a mesma coisa? "As pichações, que são rabiscos e letras feitos para demarcar território ou ir contra as instituições, têm seu valor antropológico. Já o grafite é uma forma de arte e envolve conceito e pesquisa", explica Baixo Ribeiro. "Os dois têm a mesma essência: são meios de protesto ou de diversão, na falta de opções de lazer", diz Rui Amaral, que assina o emblemático túnel da Avenida Paulista. 

O certo é que desde 1980 a cidade de SP convive com pichações e grafites. 

Pesquisas populares mostram que a população é contra a pichação. E neste caso, interesse popular, gestão municipal e lei são absolutamente concordes.

A polêmica atual está na ação contra os grafiteiros. Artistas e mídia defendem o grafite, o povo está dividido, a gestão municipal apagou alguns grafites, alegando que eles estavam também cobertos de pichações, desbotados pelo tempo e sujos com a poluição de SP.

Demarcar áreas para grafites é uma das soluções propostas que não conta com o apoio dos artistas, nem da mídia. Mas, e o povo foi ouvido?

São Paulo é considerada a capital do grafite. Temos guias sobre os principais grafites da cidade. Temos excursões a pé, de bicicleta, ou mesmo, de ônibus para levar o turista aos melhores grafites. Temos ruas, becos, viadutos que congregam obras de inúmeros artistas.

O que fazer? Apagar tudo indiscriminadamente? Organizar, sem, contudo, cercear a liberdade?

Ao se falar de arte é muito difícil avaliar, pois o gosto de um nem sempre é o gosto do outro.

Ainda bem que esta decisão não cabe a mim, pois qualquer que seja ela haverá protestos, justificativas.

O certo é que a educação tem que perpassar esta decisão. Qual o limite para os grafites? A pichação tem que ser limpa em toda a cidade?

A liberdade de um acaba onde começa a liberdade do outro.

Seja qual for a decisão a propriedade particular tem que ser preservada sem nenhuma discussão. Portanto, nada de pichar ou grafitar casas particulares, comerciais, industriais, etc. Muitos que têm suas casas pichadas, dizem que cansaram de repintar, resolveram deixar para lá.

O bem público tem que ser preservado, pois ele pertence ao coletivo. Quem daria o direito irrestrito aos artistas urbanos de utilizarem nossos monumentos, nossos museus, nossos prédios como tela?

Existem espaços mortos na cidade - pilares dos baixos dos viadutos, das passarelas, dos túneis, paredões em algumas vias públicas, por exemplo. Poderia ser feito um cadastro dos interessados em grafitar estes locais, uma espécie de “cadan” dos grafites?

Realmente, precisa-se discutir o tema e levantar-se propostas que ouçam os diferentes segmentos envolvidos, que negociem limites, que valorizem o respeito ao outro e a educação. 

Kátia Issa Drügg

GD Assessoria


Foto: Ricardo Bozza 

Kátia Issa Drügg, 

professora. Graduada em Pedagogia pela USP. Mestre em Filosofia da Educação pela PUC-SP. Trabalhou na Secretaria Municipal de Educação da Prefeitura Municipal de São Paulo de 1969 a 1995. Foi professora em diferentes Faculdades. É palestrante e consultora em RH. Implanta Programas de Gestão em empresas de diferentes segmentos com vistas à obtenção de certificação. É autora de vários artigos e de livros. Atualmente é Diretora Técnica da GD Assessoria e Superintendente do Instituto Paulista Profissionalizante - IPP.