Tradicionalmente o bairro da Liberdade é considerado o berço da cultura oriental na cidade de São Paulo, apesar de o bairro da Vila Carrão abrigar grande parte da comunidade japonesa de Okinawa e outros tantos como o Bom Retiro, a Aclimação e a Vila Mariana, destacaram-se pela presença das comunidades coreana, chinesa e também japonesa.

Conhecido por ser um bairro de orientais, a Liberdade era um bairro de negros. Abrigou organização de ex-escravos e descendentes como a Frente Negra Brasileira e mais tarde o Paulistano da Glória que foi um sindicato de domésticas que virou escola de samba e era liderado pelo sambista Geraldo Filme. A presença japonesa no bairro começou quando em 1912 os imigrantes japoneses começaram a residir na rua Conde de Sarzedas, ladeira íngreme, onde na parte baixa havia um riacho e uma área de várzea. Um dos motivos de procurarem essa rua é que quase todos os imóveis tinham porões, e os aluguéis dos quartos no subsolo eram incrivelmente baratos. Nesses quartos moravam apenas grupos de pessoas. Para aqueles imigrantes, aquele cantinho da cidade de São Paulo significava esperança por dias melhores.

Em mais de um século, o bairro ficou conhecido como o maior reduto da comunidade japonesa na cidade, a qual, por sua vez, congrega a maior colônia japonesa do mundo, fora do Japão; um dos motivos que levou São Paulo ter sido escolhida como a primeira capital a receber, com exclusividade nesse momento, a Japan House que se instala na vizinhança do bairro da Liberdade, no número 52 da mais paulistana de todas as avenidas: a Avenida Paulista!

Com a sua inauguração prevista para o próximo mês de maio, será a primeira no mundo, logo após seguida pelas de Los Angeles e Londres. Com mais de 2.500 metros quadrados de espaço útil, distribuídos em um piso térreo e mais três andares. Uma praça interna, aberta para a rua, dará acesso aos espaços térreos da casa: o hall de entrada com cafeteria, um espaço multiuso para até 150 assentos, uma biblioteca com leituras relacionadas à cultura japonesa e um jardim.

O projeto Japan House, de iniciativa global do governo japonês, trará a São Paulo um novo olhar sobre o Japão contemporâneo e terá como objetivo combinar arte, tecnologia e negócios para oferecer aos visitantes, por meio de experiências imersivas, uma perfeita tradução do Japão do século XXI, sem esquecer as suas raízes e tradições.

O projeto, do arquiteto japonês Kengo Kuma, traz os traços que identificam seu trabalho, reconhecidos no mundo todo: o uso inovador de materiais naturais, como a madeira hinoki e o papel, para criar atmosferas leves e espaços bem iluminados, onde a simplicidade aparece na funcionalidade. A sua fachada combina traços nipônicos com brasileiros em uma cortina de réguas de madeira trabalhadas por artesãos japoneses, em diálogo com uma parede de cobogós, os pequenos blocos vazados de cimento que são elemento comum na arquitetura modernista brasileira.

Sob o comando da Sra. Angela Hirata, a qual acompanhamos em uma palestra sobre o tema no Rotary Club de São Paulo Liberdade no último dia primeiro de fevereiro, a Japan House  pretende ser não apenas um novo ponto de exclamação arquitetônico na Avenida Paulista, mas também um espaço de encontro e convivência capaz de atrair tanto o passante casual quanto o visitante assíduo e os moradores da avenida, interessados em acompanhar sua programação de mostras e atividades.

A Avenida Paulista saúda o Japão!

Marco Antonio Jordão Magalhães

Publisher


Foto: Fernanda Magalhães 

Marco Antonio Jordão Magalhães, 

paulistano, empreendedor e empresário, possui MBA pela Michigan University na Michigan Ross School of Business. Sua carreira de mais de 30 anos é divida em duas fases, como colaborador premiado na área de marketing em multinacionais automobilísticas e como empreendedor conduzindo ideias, inspirando clientes e dirigindo uma equipe global de web e marketing. Mora em São Paulo e ama a Avenida Paulista, onde aplica parte dos serviços de integração digital, social e design que fazem a diferença para seus clientes em New York, San Francisco, Toronto, Londres, Buenos Aires e São Paulo.