A mesma inclusão digital que ampliou o acesso à informação, estampa dia após dia a agressividade dos que usam o anonimato, ou a ilusão acerca deste, para atacar pessoas desconhecidas ou pessoas que pensam conhecer.

Vivemos em um país onde as pessoas se preocupam mais com o que vão vestir amanhã, no carro que possuem ou que almejam comprar, do que com o que vão comer e onde vão estudar.

"Para entender o coração e a mente de uma pessoa, não olhe para o que ela já conseguiu, mas para o que ela aspira". A frase é de Kahlil Gibran, filósofo e poeta libanês, que viveu entre 1883 e 1931, e resume a qualidade do entendimento. Quem entende também atende. Quem entende também estende. Estende a mão e a atenção para a outra pessoa. 

Há formas diferentes de perceber a importância do entendimento. Como se sente carente aquele que, diante do juiz, não consegue entender o que ele está dizendo; ou aquele que vai ao consultório e não domina a linguagem que o médico faz questão de rebuscar; ou em uma palestra em que o conferencista faz questão de mostrar que domina termos que não são comuns ao auditório. Para o professor, o entendimento é ainda mais fundamental, porque não se pode ensinar sem entender o aluno. E o aluno não aprende se não entende. É praticamente uma relação de companheirismo.

Se tentarmos responder de imediato à questão: como nascem os vândalos e delinquentes? De pronto diríamos que eles são unicamente produtos da miséria e da desestruturação familiar. Mas ao nos debruçarmos um pouco na análise, constataremos que os determinantes que ela mostra não podem ser aceitos como únicos provocadores de tais chagas sociais. Não fosse verdade, não veríamos filhos da classe média envolvidos em atos de extremo vandalismo ao patrimônio público e depredações generalizadas: públicas e particulares. 

Um exemplo recente é o que vem acontecendo em nossa própria porta, aqui na Avenida Paulista, travestido de manifestações legítimas, e que descambou para as arruaças, pois, na realidade tais atitudes vão além, muito além das aparências dessas causas e expõem o inconformismo com o despreparo e descaso dos governantes.

Falta educação, falta entendimento e falta inclusão.

O que fica evidente, nesses três pontos, é a omissão do Estado. Essa omissão beirando a inconstitucionalidade, é tão vergonhosa que por si só já se torna um ato de vandalismo e delinquência. Daí, o exemplo para os cidadãos ainda em formação, e, quando formados, mal formados estão, por conta de política descompromissada com a própria educação.

A municipalidade, representada pela administração anterior da Prefeitura de São Paulo, em ato irresponsável e ilegal, abriu a Avenida Paulista ao público e a fechou para os seus próprios moradores.

Irresponsável, pois excluiu o movimento dos moradores da avenida das decisões tomadas, e estamos falando aqui de no mínimo 17 edifícios residenciais (um deles como exemplo, com quase 500 apartamentos)  e com IPTUs caríssimos.

Ilegal, pois a avenida não se encaixa nos moldes do Projeto Ruas Abertas.

Como resultante, os moradores estão sendo discriminados, insultados e tendo os seus direitos de ir e vir impedidos.

Sr. Prefeito João Doria Júnior há necessidade de se ajustar esse cenário.

A palavra de ordem na Avenida Paulista é a INCLUSÃO. Pela própria educação que recebemos, ela é bastante evidente para nós; porém não estamos vendo reciprocidade.

Há a necessidade de se criar leis municipais contra o abuso do uso de skates em locais indevidos que estão destruindo as nossas calçadas, de ciclistas que estão atropelando os moradores em plena calçada e não utilizando a ciclovia, de food trucks que mais parecem lanchonetes ao ar livre e que em muitos momentos estão concorrendo em posição de desigualdade com quem está nos shoppings centers ou em galerias de nossa avenida, os abusos, o comércio ilegal e a segurança propriamente dita estão piorando a cada dia.

As leis precisam ser cumpridas, e a INCLUSÃO praticada por todos!

Marco Antonio Jordão Magalhães

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Foto: Fernanda Magalhães 

Marco Antonio Jordão Magalhães, 

paulistano, empreendedor e empresário, possui MBA pela Michigan University na Michigan Ross School of Business. Sua carreira de mais de 30 anos é divida em duas fases, como colaborador premiado na área de marketing em multinacionais automobilísticas e como empreendedor conduzindo ideias, inspirando clientes e dirigindo uma equipe global de web e marketing. Mora em São Paulo e ama a Avenida Paulista, onde aplica parte dos serviços de integração digital, social e design que fazem a diferença para seus clientes em New York, San Francisco, Toronto, Londres, Buenos Aires e São Paulo.